sábado, 28 de junho de 2014

Capítulo 13- Beijo e Revelação


Mas os lábios sensuais lhe sufocaram o grito. Ele não vacilou, mesmo quando Demi se contorceu e tentou oferecer resistência. J.A. atirou o cigarro no chão de terra e, com o braço livre, a puxou contra a extensão do corpo musculoso.
A força e o calor que dele emanavam enfraqueceram a determinação de Demi. Lentamente, ela se tornou ciente das próprias mãos apertando, ávidas, os braços fortes, e da respiração quase sufocada. E começou a sentir o calor da boca de J.A. contra a sua, os movimentos eróticos se tornando mais gentis e insistentes a cada segundo.
Wilmer a beijara. Assim como outros rapazes. Mas não fora nada parecido com aquilo. Demi quase não sentia o sol que lhe queimava a cabeça ou ouvia o barulho que os cercava. Não sentia sequer o cheiro da poeira. Os movimentos defensivos se tornaram hesitantes antes de ela ceder aos braços que se fechavam como garras de aço em suas costas.
J.A. a colou ainda mais ao corpo, e ela experimentou um leve tremor diante da sensação desconhecida de permitir que um homem a abraçasse com tanta intimidade.
Os lábios sensuais recuaram alguns milímetros, roçaram e tocaram os cantos dos de Demi. Ela se fundiu inesperadamente à parede sólida daquele corpo. O rosto áspero escorregou devagar contra o dela, recuando apenas o suficiente para que J.A. pudesse lhe ver os olhos. O prazer vertiginoso que reconheceu neles o tornou faminto. As íris chocolates sob os cílios escuros e longos o encaravam, curiosas, e cheias de desejo.
- Os... homens... - Demi conseguiu dizer, sem muita preocupação.
J.A. a fez girar o suficiente para que ela constatasse que estavam protegidos pelo trailer que transportava o gado.
- Que homens, pequenina? - sussurrou ele, os lábios resvalando os dela como asas de uma borboleta. Recuando, provocando. - Escorregue os braços sob os meus. - Mordiscou-lhe o lábio inferior. - Para se encostar em mim.
Demi obedeceu, impotente, imergindo em um doce esquecimento que pulsava com as sensações até então desconhecidas. As mãos pequenas se espalmaram contra as omoplatas largas. Era estranho, pensou ela, entontecida, como os dois se encaixavam com perfeição apesar da diferença de altura.
- Beije-me, sra. Jonas - sussurrou J.A. induzindo-lhe a boca a se abrir.
Demi se entregou ao beijo. Os lábios que capturavam os seus se mostraram gentis a princípio, e depois se tornaram mais ousados. Ela gemia de prazer à medida que a pressão e a insistência aumentavam para uma invasão ousada que lhe fez as pernas tremerem contra os músculos rígidos que as comprimiam.
De repente, J.A. a soltou e recuou, com a mandíbula contraída e os olhos refletindo um brilho estranho.
- Não é hora nem lugar - disse com voz rouca. Em seguida, respirou fundo e observou o resultado do que fizera. Assentiu com um gesto de cabeça quando percebeu os inconfundíveis sinais de excitação. - Sim, você me deseja. Já é um começo.
Demi engoliu em seco. Os lábios ardiam e, quando os fechou, sentiu o sabor de J.A. Queria lhe perguntar por que, mas ele a segurou pela mão e a puxou para que o acompanhasse.
- Esses são espécimes Hereford - explicou como se nada tivesse acontecido. - Você sabe que cruzamos gado Brahman com Shorthorn para produzir Santa Gertrudis. Bem, esse é outro tipo de cruzamento.
J.A. prosseguiu, dando-lhe uma verdadeira aula sobre cruzamento de gado.
Demi escutava, mas os olhos se detinham a admirar aquele belo rosto másculo, enquanto sentia o corpo em chamas.
J.A. acendeu um cigarro enquanto falava e, em determinado momento, sorriu para ela de uma forma que lhe fez o coração bater desgovernado contra as costelas.
Ambos pareciam ter cruzado uma nova ponte, de repente, e Demi sentia uma excitação que nunca antecipara.
Mesmo quando ele teve de deixá-la para voltar ao trabalho e Demi cavalgava de volta para casa, aquela sensação perdurava. Desejava apenas saber para onde se encaminhavam.
Ao encará-lo, saboreando os traços bem marcados do rosto de J.A., a compleição morena e corpo musculoso, Demi imaginara como seria o filho dos dois.
O pensamento a envergonhara, e ela desviara o olhar. Haveria muito tempo para aquele tipo de curiosidade mais tarde, se e quando as coisas se acertassem entre eles
[...]
A vida se complicou rápido. Wilmer veio visitar Demi na manhã seguinte, mostrando-se um pouco hesitante porque para todos os efeitos, ela estava casada com J.A.
Ele não conseguia entender ao certo o que se passava. Demi lhe dissera que o casamento fora um erro, mas o olhar de J.A. lhe lançava adagas do outro lado da mesa de centro da sala de estar, fazendo-o se sentir como um alvo diante de um atirador de elite.
- Eu...uh... pensei que talvez pudéssemos ir ao cinema amanhã à noite. Se J.A. não se incomodar. - Wilmer se apressou a acrescentar.
Demi não voltara a se encontra com J.A até a visita de Wilmer, mas lá estava ele, sentado ereto como uma dama de companhia. E a forma como encarava Wilmer a estava deixando nervosa.
J.A. se inclinou para trás na cadeira, fumando com uma autoconfiança arrogante.
- Demi é minha esposa - disse ele ao homem mais jovem. - Acho que mulheres casadas não devem desfrutar de encontros românticos com outros homens. Apenas um capricho meu - concluiu com um leve quê de periculosidade no semblante.
Os olhos do veterinário se arregalaram.
- Pensei... Demi disse... - gaguejou Wilmer relanceando o olhar a ela, mas não recebendo nenhuma ajuda. - ... que tudo não passou de um erro.
- Talvez tenha começado dessa forma. Mas Demi e eu estamos determinados a tirar o melhor de nosso infortúnio. Certo, Demetria?
Demi o encarou, indecisa. Não se sentia mais a mesma desde o dia anterior, quando J.A. a beijara com tanta paixão. Ele a estava encostando contra a parede e não lhe deixando nenhuma rota de fuga.
- Ora, escute aqui, J.A. - começou .
Um sorriso preguiçoso bailou nos lábios finos.
- Joseph, querida, lembra? A memória dela falha com muita frequência, pobre menina - disse ele a Wilmer.
- Isso não é verdade! - protestou Demi irritada. - Nunca me esqueço de nada!
- Apenas a alguns minutos atrás, esqueceu-se de que somos casados. - J.A. deu de ombros. - Não pode culpar um homem por se preocupar quando a própria esposa esquece que está casada com ele.
Demi o fulminou com o olhar, enquanto Wilmer se remexia, constrangido, na cadeira. Parecia que o mundo ruía ao seu redor.
- Gostaria de examinar aquelas duas vitelas com parasitose outra vez - disse ele a J.A., mudando de assunto. - Como estão os bezerros com disenteria que vínhamos tratando?
- Estão melhores - respondeu J.A. - No entanto, eu me sentiria mais tranquilo se tivéssemos mais tempo para observá-los. Há muito gado doente no rancho. Não estou gostando disso.
- Creio que seria muito bom verificar as condições da pastagem - Wilmer sugeriu. - Talvez estejam ingerindo alguma substância tóxica.
- Isso também me ocorreu - concordou J.A. - Vou mandar verificar aqueles reservatórios hoje, também. É possível que algo esteja contaminando o suprimento de água.
- Agradeça à sua boa estrela por não estarmos nas Guadalupe Mountains, onde estão as salinas - murmurou o veterinário.
- Agradeço; todos os dias - J.A. se ergueu. - Vou acompanhá-lo até a porta. Iremos receber visitas hoje, portanto, não tenho muito tempo. Pedirei a Darby que o leve para ver aqueles bezerros.
Demi não gostou da expressão estampada no rosto de J.A., e se levantou de um salto.
- Eu também vou.
J.A. arqueou uma sobrancelha, mas não disse nada. Ela saiu atrás de Wilmer, que parecia muito nervoso.
Os três caminharam na direção do estábulo, onde Darby, um vaqueiro mirrado e baixo, trabalhava. J.A. deixou o veterinário na companhia de Darby e voltou para onde Demi esperava, observando.
Em seguida, segurou-a pelo braço e a levou na direção do Fort, estacionado ao lado do alojamento deserto, e algumas centenas de metros do estábulo dos fundos.
- Para onde vamos? - Ela quis saber.
- Para o aeroporto, encontrar meus irmãos. Esqueceu?
- Pois é... Mas eu não sabia que iria recebê-los com você. Não estou vestida de maneira adequada...
- Para mim, você está muito bem - murmurou ele, os olhos percorrendo, com aprovação, a saia longa de brim, as botas de cano alto e o pulôver de tricô. - Gosto de seu cabelo solto dessa forma.
- É mesmo importante o modo como o uso? - indagou Demi com frieza. - Afinal, não me tornam menos gorda.
J.A. prendeu a respiração. Em seguida, lhe segurou a mão e a puxou em sua direção, os olhos verdes calmos e firmes no rosto de Demi.
- De tudo o que eu disse, isso é o que mais lamento - começou ele. - Porque você me agrada exatamente do jeito que é. Queria ofendê-la. - Fitou as mãos pequenas. - Deus! Falei coisas que não sinto. Foi um susto, e não muito agradável naquele momento. Eu desconhecia as circunstâncias, se é que posso usar isso como justificativa. Não espero que supere aquele episódio horrível tão cedo, mas talvez essas feridas acabem cicatrizando. Essa é minha esperança.
Demetria observou os lábios dele antes de voltar a encará-lo.
- Éramos amigos, J.A. Gostaria que voltássemos a ser.
- É mesmo? - Ele se aproximou um passo, a expressão tão ameaçadora quanto o corpo perfeito e rígido. - Depois do que houve ontem, duvido que algum de nós se conforme apenas com amizade. - Foi a vez de os olhos verdes de J.A. se fixarem nos lábios carnudos. - Eu a desejo.
Demi recuou um passo, o rosto refletindo a indecisão que sentia.
- Você também deseja Blanda.
J.A. franziu a testa.
- Da mesma forma que você deseja Wilmer? - indagou desconfiado. - Que pretendente! Disparando pela porta sem você. Eu me arriscaria a ter a cabeça rachada com uma paulada para levá-la comigo, se fosse ele.
- Adoraria vê-lo rachar a própria cabeça com uma paulada - Demi resmungou.
J.A. soltou uma risada entre dentes.
- Não foi isso o que quis dizer. - Ele ergueu o queixo e, com um dos olhos estreitados, a examinou de cima a baixo. - Você o quer, pequenina? - indagou com muita suavidade.
Em seguida, J.A. lhe soltou a mão e ergueu a dele, para escorregar as juntas dos dedos pela clavícula de Demi, bem devagar, sobre o tecido do pulôver. O som que o movimento produzia ecoava no silêncio do início da manhã. Os olhos verdes observavam-lhes o repentino rubor do rosto, o sussurro da respiração ofegante.
- J.A. - sussurrou Demi insegura, mas não tentou se afastar.
- Está tudo bem. Sou seu marido.
Demi não conseguia raciocinar, o que era uma vantagem. O dorso da mão longa se moveu mais para baixo, sobre o tricô da blusa até as curvas generosas dos seios, de um lado para o outro, com delicadeza terna, até que ela sentisse todo o corpo em chamas. Setia-se arder de desejo.
Como se pressentisse a excitação de Demi, ele roçou o dedo indicador num dos mamilos, tornando-o rígido e sensibilíssimo, e fazendo-a ofegar alto.
J.A. percebeu, com surpreendente satisfação, o rubor que fazia queimar o rosto de Demi e o leve tremor que lhe perpassou o corpo.
- Era mentira - disse conciso. - Você nunca se deitou com Wilmer. Nem com nenhum outro homem.
Demi não podia negar. Mas também não conseguia se mover. Era como se J.A. lhe tivesse atirado um feitiço. Amava o prazer que aquele toque lhe proporcionava. Na verdade, estava se embebedando nele.
J.A. olhou ao redor, frustado e ávido por lhe ensinar mais daquela lição superficial, mas os malditos vaqueiros se encontravam espalhados por todos os lugares, surgindo para começarem suas atividades. A qualquer minuto viriam para aquele estábulo dos fundos. Seus irmãos chegariam dentro de meia hora. Teve vontade de esbravejar.
Voltou a encarar Demi, com novas linhas lhe vincando o rosto severo.
- Isso terá de ser o suficiente, por ora. - Ele escorregou a mão livre pela cascata espessa de fios castanhos-avermelhados, antes de lhe erguer o queixo. - Deus, isso dói...!
Demi não entendeu. Os lábios de J.A. se apossaram dos dela com movimentos provocantes, e a mão longa vagou lentamente sob um dos seios fartos, erguendo-o de leve, enquanto o polegar friccionava o mamilo intumescido.
- Oh! - Demi gemeu contra a boca quente, mas J.A. tinha certeza de que não fora dor que fizera aquele som lhe escapar da garganta.
- Abra a boca - pediu ele, com os lábios colados nos dela.
Demi obedeceu, lhe envolvendo o torso com os braços, estremecendo ao tentar comprimir o seio contra a mão que o estimulava. No mesmo instante, porém,  J.A. moveu ambas as mãos para as curvas generosas de seus quadris e os puxou com força contra os dele.
A exclamação de surpresa que ela deixou escapar penetrou na boca de J.A., enquanto ele lhe movia os quadris com movimentos rotativos contra a evidente ereção. Porém, logo interrompeu aquela intimidade erótica e a afastou.
- Não - disse ele quando, entontecida, Demi tentava retornar ao círculo excitante daqueles braços. - Venha. - J.A. a segurou pelo braço e a puxou na direção do carro.
A mão era áspera contra a maciez do braço de Demi, mas nem percebeu. Ela inteira tremia. Então era essa a sensação de fazer amor. Tinha certeza de que havia muito mais que isso; como, por exemplo, estarem despidos.
Com a pele em chamas, ela exalou um suspiro rouco diante do pensamento daquelas mãos longas e fortes em seu corpo nu.
- Sra. Experiência - disparou ele dirigindo-lhe um olhar furioso. - Meu Deus! Por que mentiu para mim?
- Achei que isso me deixaria menos vulnerável - Demi respondeu sem pensar.
Os olhos claros se desviaram dos lábios intumescidos, que se encontravam entreabertos, e se fixaram na expressão chocada de Demi.
- Parece menos vulnerável, sim - afirmou J.A. sarcástico.
- Não precisa debochar de mim. Não posso evitar a reação que você me causa.
J.A. abriu a porta do carona do Ford e se afastou para trás, para que ela pudesse entrar.
- Não estou debochando de você, Demi. Se quer saber a verdade, fico louco de excitação ao vê-la se derreter quando a toco.
Demi ergueu o olhar para encará-lo, curiosa e um pouco temerosa. J.A. parecia muito maduro, e sua experiência estava a anos-luz da que ela possuía.
- O que fez... comigo? - perguntou ela hesitante, tentando não gaguejar. - É assim a sensação que se tem na cama?
O coração de J.A. pareceu perder uma batida, e depois começou a bater descontrolado. O corpo ameaçava entrar em combustão espontânea. Ele lhe procurou o olhar em um silêncio que pulsava com promessas.
- Por que não vem para minha cama esta noite e eu lhe mostro?
Os olhos de Demi se arregalaram até as pupilas quase lhes bloquear a cor.
- Quer dizer... dormir com você?
J.A. assentiu.
- O alojamento está vazio, agora que o recolhimento do gado chegou ao fim. Você é minha esposa - disse sentindo aquelas palavras lhe percorrerem todas as células do corpo. - Não há nada do que se envergonhar - acrescentou quando lhe percebeu a hesitação. - Seria apenas a consumação de nossos votos de casamento. - Ergueu-lhe uma das mãos e pressionou a palmas macia nos lábios famintos. - Até que durma comigo, não estaremos legalmente casados. Sabia disso?
- Não. Quero dizer, não sabia. - Demi titubeou. O brilho naquele olhar parecia lhe derreter os tornozelos. Mal conseguia se manter em pé.
Era difícil lembrar a si mesma que aquele homem não a amava. Tinha de tentar manter aquilo em mente, mas ficava difícil raciocinar quando os olhos claros de J.A. a devoravam daquele jeito.
- Está com medo? - perguntou ele, gentil.
- Sim, um pouco - Demi confessou em um sussurro.
- Serei cuidadoso com você. - J.A. lhe puxou a mão, encostou-a no peito musculoso e a deixou pressionada lá, com a palma voltada para baixo, para que ela pudesse lhe sentir as batidas fortes do coração sob o tecido da blusa.
- Vai doer - disparou ela.
- Talvez. Mas você não vai se importar.
Demi o fitou.
- Talvez descubra hematomas em seus quadris amanhã, porque fui rude com você agora há pouco - continuou ele devagar. - Não tive intenção de aplicar tanta força, mas você estava se esforçando para voltar aos meus braços depois, e não o contrário.
Os lábios sensuais se entreabriram. Demi havia esquecido a sensação de que as mãos de J.A. pareciam garras de aço ao lhe segurar os quadris.
- Quer dizer que é aquela a sensação.
- Sim, parecido. Uma febre que queima, tão incontrolável e alta que acaba por embotar a doer. - O semblante de J.A. se tornou sério. - Eu a farei desejar tanto que não se importará com o que eu fizer.
- Mas e quanto a Blanda...? - soou o murmúrio pesaroso.
J.A. lhe envolveu o rosto com as mãos e se inclinou para lhe beijar a testa com uma ternura de tirar o fôlego.
- Blanda foi apenas uma diversão prazerosa e muito inocente. - J.A. escorregou a lateral do rosto pelo dela, de modo que a respiração soprasse na orelha de Demi. -Nunca dormi com ela...
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BEIJO JEMI QUASE HOT !!!!! HAHAHAHAHHA :*
CARALHOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO :O Olá peitos kkkkkk

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Capítulo 12-MINI- Convite aceito


Demi lavou os pratos e limpou a casa. Durante todo o tempo, pensava sobre o convite que J.A. lhe fizera de improviso para que fosse até a plataforma de descarga para ver as novas vitelas chegarem. Provavelmente ele terminaria aquele serviço bem antes do almoço, e não insistiria no convite. Mas Demi foi assim mesmo.
Enquanto cavalgava ,Demi Lembrava que Quando menina, costumava perambular por aqueles Campos, imaginando os bandos de elegantes guerreiros comanches montados em lombos de cavalos. Eles eram conhecidos como a melhor cavalaria ligeira do mundo.Demi podia imaginar as longas viagens de condução de gado, os bandidos mexicanos, como Pancho Villa, e os invasores apaches e yaquis. A imaginação impedira Demi de se lamentar por ser filha única.
Será que J.A. gostava de história? Ela nunca lhe fizera aquela pergunta.
Demi franziu a testa quando a égua apressou o passo à medida que se aproximavam das margens próximas ao que chamavam particularmente de Lovato Creek, um afluente do rio Grande. Aquela área era conhecida por transbordar quando chegavam as chuvas da primavera. Fora dessa época, era o hábitat de criaturas como a antilocapra americana e o veado de cauda branca.
Vez ou outra, Patrick liberava a caça em suas terras, mas apenas para pessoas conhecidas. Como a humanidade havia exterminado a maioria dos predadores que um dia controlaram a população de mamíferos herbívoros, agora tinham de recorrer a meios menos naturais para reduzir o número dos antílopes e veados. Do contrário, o consumo exagerado das pastagens ameaçaria a sobrevivência do gado e dessas próprias espécies.
Demi sentiu o coração subir à garganta quando viu os enormes caminhões ainda descarregando o novo rebanho. J.A., montado sobre a cerca, supervisionava a operação. Ele devia ter pressentido sua aproximação, porque olhou direto na direção dela. Mesmo a distância, Demi viu seu sorriso.
J.A. pulou da cerca e se aproximou, esbelto, alto e perigoso. Ela imaginou se algum dia existiu um homem como aquele. Decerto era o espécime masculino que sempre povoara seus sonhos.
- Quer dizer que decidiu se juntar a nós - brincou ele. - Bem, desmonte, então.
Demi saltou da sela e pousou de pé ao lado dele, as rédeas frouxas em uma das mãos. A égua seguiu, barulhenta, atrás dos dois.
- É uma grande quantidade de gado - comentou ela quando amarraram a égua à cerca, um pouco mais adiante.
J.A. baixou o olhar para encará-la.
- É preciso muito gado para se ganhar a vida, hoje em dia. Sobretudo para rancheiros como seu pai e eu, que não tomam atalhos que prejudiquem  a qualidade.
Demi franziu a testa.
- Atalhos?
- Implantes hormonais, superdosagem vitamínica... Esse tipo de coisa.
- Li nos boletins mensais do meu pai que alguns países estrangeiros estavam se recusando a importar gado com implantes hormonais que aceleram o crescimento e a engorda.
J.A. sorriu.
- Vejo que fez seu trabalho de casa. - Ele acendeu um cigarro e empurrou para cima a aba do Stetson marrom-claro desgastado. - É isso mesmo. As pessoas estão ficando mais conscientes com a saúde. Temos de criar gado de corte mais magro, de forma natural, para nos encaixarmos no mercado. Até mesmo os pesticidas que usamos em nossos gramados estão expostos à censura.
- Sem mencionar a marcação do gado - murmurou ela dardejando o olhar na direção dele.
- Não comece - J.A. retrucou em tom de voz suave. - Não é cruel, e é necessário. A marcação a frio não pendurará nem será mais visível depois de mais ou menos um ano. Os brincos podem ser removidos. A marcação a ferro quente é a única forma que um rancheiro possui de proteger seu investimento e marcar o gado com eficácia. Qualquer coisa além disso é um convite aos ladrões de gado.
- Posso ouvir as risadinhas. Ladrões de gado na era espacial.
- Sabe tão bem quanto eu que o roubo de gado é um negócio muito lucrativo, mesmo que praticado com caminhões, e não através de desfiladeiros. Droga! Hoje em dia, recebemos pressões de todos os lados. Talvez chegue o dia em que as pessoas terão de escolher entre comida e um tubo de pasta nutritiva, mas enquanto estiverem dispostos a comer um bife suculento, terão de fazer algumas concessões.
- Ainda assim, acho que os animais não devem ser torturados desnecessariamente - insistiu obstinada. - Não apenas por curiosidade ou para a produção de cosméticos mais seguros para as mulheres.
J.A. soltou uma risada baixa.
- Você e seu coração de manteiga. Se pudesse, transformaria todos os meus novilhos em animais de estimação e daria nome a todas as galinhas, não é? Cem anos atrás, teria morrido de fome, Demi. E terei de lembrá-la de um tempo em que as crianças morriam às centenas ou ficavam aleijadas devido a um número infinito de doenças. Como acha que os pesquisadores encontraram a cura para essas enfermidades?
- Utilizando os animais como experimentos, acho eu - afirmou Demi desconfortável.
- Isso mesmo. Há um século, se não pudesse matar um animal, você morreria de fome. - O olhar de J.a. percorreu a pastagem. - A crueldade faz parte da vida. Goste ou não, você e eu somos predadores, animais. O homem é apenas um espécime selvagem socializado. Ponha-o em um meio ambiente com a barriga vazia e ele matará sempre que for necessário.
- Podemos falar sobre algo menos violento? Seus irmãos são como você?
J.A. girou para apreciar a visão dela, desde o cabelo avermelhado solto até a figura curvilínea trajada em jeans.
- Nicholas, sim - respondeu, por fim. - É o mais velho. Somos parecidos, embora ele seja mais reservado que eu. Kevin é mais próximo da minha idade, mas tem olhos cinzas. Meu irmão mais novo, Frankin, se casou pouco antes de eu vir para cá. A esposa é uma boa moça. O nome dela é Alice.
- Seus pais ainda estão vivos? - Demi quis saber.
- Nosso pai morreu quando éramos meninos. Mamãe ainda está viva. - Pendurou os polegares no cinto largo de couro e encarou Demi. - Ela se chama Denise. - Os olhos verdes se fixaram nos lábios carnudos. - Se tivermos uma filha, eu gostaria de lhe dar o nome da minha mãe. Ela é uma mulher especial. Corajosa, capaz e amorosa. Gostaria de você, se a conhecesse, Demetria Lovato Jonas.
Demi sentiu o rosto queimar. Ele estava muito próximo, e a ameaça que oferecia aquele corpo esbelto e definido a deixava nervosa.
Movendo-se, Demi se afastou um pouco, mas J.A. a acompanhou, o sorriso deixando claro que tinha plena ciência de que a afetava.
- Não serei uma Jonas por muito tempo - disse ela na defensiva.
- Por quanto tempo eu quiser, será - murmurou J.A. - O casamento não é uma brincadeira. Se não queria casar comigo, não deveria ter permitido que a convencesse a entrar naquela capela matrimonial mexicana.
O que ele dizia era verdade, mas Demi não poderia admitir. Enfiou as mãos nos bolsos do jeans para mantê-las paradas. Não conseguia erguer o olhar além do peito de J.A. A camisa era azul listrada, estilo caubói, delineava os músculos exaltados que se encontravam por baixo. Por uma ou duas vezes, ela o vira sem camisa, mas apenas a distância. Não pôde deixar de imaginar como seria de perto e, quando se deu conta do que estava pensando, sentiu o rosto queimar mais uma vez.
J.A. ergueu as sobrancelhas.
- Meu Deus! Estamos perturbados? - brincou ele com um sorriso lento se formando nos lábios finos. - Quer que eu a tire? - perguntou com voz arrastada e suave.
Os olhos de Demi voaram para os dele como uma flecha, mas no mesmo instante se desviaram para o gado. As batidas frenéticas do coração quase lhe sacudiam o corpo, e a boca de Demi ressecou, enquanto procurava uma resposta à altura.
- Eu estava admirando a cor - gaguejou.
- Estava me despindo, você quis dizer - retrucou J.A. com naturalidade, levando o cigarro aos lábios. - Por que não o faz? Somos casados. Não me importarei se me tocar.
Demi ofegou e começou a se afastar, mas ele lhe segurou uma mecha de cabelo entre os dedos, impedindo-a de prosseguir.
- Não fuja de mim - disse ele voz uma voz grave e lenta, que suplantava até mesmo o mugido do gado e os gritos dos vaqueiros próximos, que o descarregavam.
Um grande trailer para trasportar gado fora manobrado de marcha a ré até o local, isolando-os do restante dos homens com sua estrutura volumosa.
- Está na hora de encarar a realidade da nossa situação.
- Nossa situação se resolveria se você concordasse com a anulação. - As palavras quase a sufocaram.
J.A. movimentou a mão, enroscando-a no cabelo castanho-avermelhado. Em seguida, a girou e lhe ergueu o rosto para encará-lo com a pressão que lhe aplicou no cabelo. A íris mostravam um brilho estranho e novo em suas profundezas.
- Anulações são para pessoas que não conseguem resolver seus problemas. Nós vamos dar uma chance a esse casamento. Começando aqui e agora.
- Nós vamos o quê? J.A.!

Notas Finais


Oque será que vai acontece??? kkk hum......

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Capitulo 11 - Sem Saída


Era comum E.C. tomar o café da manhã na companhia de Demi e Patrick, mas nos últimos tempos vinha se mostrando ensimesmado. Ainda assim, Demi não se surpreendeu ao encontrá-lo sentado à mesa da sala de jantar, junto com seu pai, quando desceu para fazer o desejum. O que estranhou foi encontrar comida na mesa esperando por ela, assim como um bule de café fresco.
- Estamos surpresos? - murmurou J.A. Os olhos claros escorregaram, possessivos, pelo corpo dela, coberto com uma calça jeans, uma blusa branca e um pulôver amarelo de tricô. - Achamos que os homens são incapazes?
Demi  olhou ao redor para ver com quantas pessoas ele estava falando.
- Engraçadinha... - J.A. soltou uma risada abafada. - Sente-se e coma, antes que esfrie.
Demi se acomodou na cadeira em frente à dele e ao lado do pai. Em seguida, alternou o olhar entre as roupas de trabalho de J.A., em brim e cambraia, e o terno de Patrick.
- Está planejando ser enterrado antes que o dia acabe ou vai a algum lugar, papai?
- Vou ao banco pagar a hipoteca do rancho - informou Patrick hesitante.
- Com que dinheiro?!
- Podemos conversar sobre isso mais tarde - interveio J.A. - Coma os seus ovos.
- Com que dinheiro?! - insistiu ela encarando o pai com olhar furioso.
Patrick tinha uma expressão culpada. Os olhos de Demi se desviaram para um presunçoso J.A., recostado para trás na cadeira, como um conquistador. Ele a observava, com a camisa retesada sobre o peito musculoso e os ombros largos.
- Você fez isso. Deu dinheiro ao meu pai para ele pagar a hipoteca, certo?
- Ele é meu sogro - respondeu J.A. com naturalidade. - Sem mencionar que é meu sócio, também. Vamos providenciar a documentação hoje. Seu pai cuidará disso enquanto estiver na cidade.
- Não irá acompanhá-lo? - perguntou cautelosa.
J.A. deu de ombros.
- Há um novo carregamento de gado chegando. Alguém tem de estar aqui para assinar o recebimento e supervisionar a descarga.
- Gado novo? - Demi sabia que os olhos estavam saltando para fora das órbitas. - Que gado novo?
- Algumas vitelas para acrescentarmos às nossas vitelas de reposição, é só. - assegurou J.A. sorrindo. - Mas teremos dois touros puros-sangues Santa Gertrudis. Meus irmãos chegam amanhã.
- Há outros como você? - Demi pensou em voz alta, recordando a vaga referência que J.A. fizera a eles na véspera.
- Três - lembrou ele.
- Deus nos ajude! São casados?
Os olhos claros se estreitaram.
- Um deles, sim. O mais novo. Os dois mais velhos ainda estão solteiros; e não alimente nenhuma ideia. Você já tem um marido.
- Só até conseguir sua assinatura naquele documento - respondeu ela com voz melíflua.
- E o inferno congelará antes disso - retrucou J.A.
- Não podemos deixar a discussão para mais tarde? - Patrick gemeu. - Quero comer em paz.
- Ele tem razão. Pegue um pouco de molho.
Demi desistiu. Colocou uma colherada do molho vermelho brilhante sobre os ovos e se deliciou com o sabor picante que acrescentou nos ovos mexidos feitos com perfeição. O bacon estava frito no ponto certo, e os pãezinhos, melhores que os dela.
Dirigindo o olhar a J.A., Demi franziu a testa. Sabia que ele, como a maioria dos homens, era capaz de cozinhar quando necessário, mas aquilo superava a média dos homens que não eram chefs renomados.
- Você preparou isso tudo?
- Eu disse isso? - J.A. fez uma expressão inocente.
- Bem, não...
- Foi Sue quem fez - informou Patrick- Achamos que você iria acordar tarde, depois de toda a excitação da noite anterior.
- Excitação... - resmungou Demi. - Primeiro ele quer a anulação, e agora não quer mais.
- Digamos que caí em mim a tempo - justificou J.A. com voz preguiçosa, sorrindo por sobre uma garfada de ovos mexidos. O olhar se fixou nos lábios carnudos e se deteve lá antes de voltar a encará-la. - Sei reconhecer uma boa coisa quando a vejo.
O coração de Demi disparou. Não era justo fazer aquilo com ela.
- Porque precisa de mim para protegê-lo de noivas em potencial? - conseguiu perguntar com voz rouca.
- Porque vou começar um novo ramo nos negócios da família aqui. Muita gente no sudeste do Texas conhece as propriedades Jonas. Muito em breve, irão conhecê-las em El Paso, e passarei a fazer parte da lista de espécimes em risco. E é aí que você entra. Se começar a sofrer assédio das interesseiras, tudo o que terei de fazer será conjurar minha doce e pequena esposa para afastá-las.
- Não sou doce nem pequena. - Demi pousou o garfo. - Sou simplória e gorda, como você mesmo disse.
J.A. contraiu os músculos da mandíbula.
- Espero que não passe os próximos 20 anos atirando isso na minha cara todas as vezes que se irritar.
Demi  o encarou até ser obrigada a abaixar o olhar ao próprio prato em um gesto de autodefesa. Aquele olhar penetrante e impassível havia intimidado homens adultos enfurecidos. Ela se remexeu na cadeira.
- Você disse que não queria se casar.
- E não queria. Mas é fait accompli agora. Certo?
- O quê?
J.A. arqueou as sobrancelhas.
- É uma expressão francesa. Significa fato consumado. Suponho que não sabe falar francês. Eu a ensinarei. É uma língua sensual. Assim como o espanhol.
Demi pigarreou e tomou um gole de café.
- Não tenho facilidade em aprender outros idiomas.
- Algumas palavras não lhe farão mal algum. Principalmente... - prosseguiu ele com suavidade. - ... as palavras certas.
Demi percebeu a insinuação, e seu olhar se fixou, impotente, nos lábios finos e firmes de J,A. Sempre imaginara como seria a sensação de tê-los contra os dela. Porém, durante os três anos em que J.A. estivera ali, nunca a beijara, exceto por um beijinho superficial sob o visco na época das festas de fim de ano, tão impessoal quanto um sorriso. Sonhara milhões de vezes com aqueles braços musculosos a envolvendo, com o prazer de ter a boca capturada com paixão febril por J.A. Claro que ela não era o tipo de mulher que inspirava paixão nos homens, como era o caso de Blanda.
Blanda...
Demi pensou na outra mulher e se sentiu incomodada outra vez. Tinha uma boa ideia do que J.A. vira na loira elegante, e imaginou se ele pretendia continuar se relacionando com ela. Aquele casamento não era real. J.A. poderia alegar que ela não tinha direito de lhe ditar as regras, e estaria certo. Eram casados apenas no papel.
Demi pousou o garfo. O apetite havia desaparecido. Se ao menos J.A. a amasse... Se tivesse se casado por vontade própria, e não em um impulso provocado pela embriaguez...
- O que foi agora? - resmungou ele observando a expressão de Demi se alterar. - Parece que está diante do fim do mundo.
- Não consegui dormir - justificou ela na defensiva.
- Sonhando comigo - afirmou J.A. com um sorriso.
Demi lhe dirigiu um olhar enfurecido.
- Não estava sonhando com você!
- Tudo bem. Pode lutar à vontade. Eu vencerei - acrescentou ele erguendo-se e baixando o olhar para encará-la. - E você sabe disso.
Demi não conseguia entender aquela nova atitude de J.A. Tampouco a expressão naqueles olhos verdes. Ela ergueu o olhar, impotente.
- Sentido-se confusa, pequenina? Bem, levará algum tempo, mas um dia você se acostumará com a ideia. Vejo-o mais tarde, Patrick. - J.A. tomou o restante do café que sobrara na xícara, pegou o Stetson e o enterrou enviesado na cabeça, sobre um dos olhos. - Por que não vem até a plataforma de descarga para nos assistir receber o gado, Demi?
Aquele era o primeiro convite daquele tipo que J.A. lhe fazia. Era como se apreciasse sua companhia. Ela não sabia como responder, portanto hesitou.
- Faça como quiser. - Ele exalou um suspiro profundo. - Se mudar de ideia, sabe onde estarei.
J.A. desapareceu pela porta, e Demi trocou um olhar perplexo com o pai.
- O que está acontecendo?
- Que eu seja maldito se sei, exceto que ele sofreu uma mudança de 180 graus. - Patrick meneou a cabeça. - Não posso dizer que lamento em um aspecto. Estas terras pertencem à nossa família desde a época da guerra civil. Detestaria perdê-las por minha incompetência nos negócios.
Demi sabia o quanto aquele rancho significava para o pai, e sentiu uma pontada de culpa por ter se oposto, quando J.A. era a resposta para todos os problemas da família. Mas também era a raiz dos dela.
- O que acha disso tudo? - perguntou Patrick com a voz calma.
Demi escorregou o dedo pela xícara de café.
- Creio que ele está apenas tentando remediar uma situação ruim. Ou talvez imagine que anular o casamento seja uma mácula em sua masculinidade. - Demi deu de ombros. - Talvez a justificativa dele seja verdadeira e queira de fato manter as noivas em potencial afastadas quando todos descobrirem que é rico. Mas eu me sinto desconfortável. J.A. está reagindo com muita tranquilidade para um homem que praguejou como um alucinado quando descobriu o que aconteceu em Juárez.
- Ele esteve ausente por vários dias - disse Patrick pensativo. - Talvez tenha aceitado a situação.
Demi se lembrou do que J.A. lhe contara sobre a esposa falecida e duvidou daquilo. Ele mencionara que queria uma família e que Blanda não estava disposta a formar uma. Talvez apenas estivesse imaginando que Demi se encaixava perfeitamente naquele papel: dona de casa, mãe, cozinheira. Alguém nos bastidores de sua vida, de quem poderia se afastar sem ferir os próprios sentimentos, caso o casamento não desse certo.
Demi sabia que J.A. não a amava. Ele deixara isso muito claro. Podia ser que a desejasse. Não tinha certeza nem mesmo disso, porque J.A. era o tipo de homem que só deixava transparecer em seu semblante o que queria que os outros vissem. Talvez estivesse apenas jogando. Vingando-se.
- Está fazendo de novo, filha.
Demi franziu a testa, com olhar curioso.
- Fazendo o que, pai?
- Cismando. Não faça isso. Viva um dia de cada vez e veja o que acontece.
Demi teve vontade de argumentar, mas não havia razão para isso.
- Está bem - concordou com naturalidade. - Arranjei um emprego.
- Um o quê?
- Um emprego. Bem, quase arranjei. Haverá uma vaga em El Paso, se a recepcionista que acabou de dar à luz não retornar da licença-maternidade. - Demi se admirou do olhar preocupado do pai. - O que há de errado em arranjar um emprego?
- Você tem muito o que fazer aqui no rancho - resmungou Patrick. - Terei de abrir mão de minhas tortas de maçã e dos bolos se você for trabalhar fora. Quem cuidará de mim?
Demi ergueu as sobrancelhas.
- Mas, papai, não posso ficar em casa para sempre!
- Poderia se permanecesse casada com meu genro - retrucou Patrick conciso. - Não há razão para não aceitar. Ele é um ótimo partido. Rico, bonito, inteligente...
- Cabeça-dura, autocrático, insensato...
- E, acima de tudo, gosta de crianças - concluiu Patrick com firmeza. - Gosto de crianças. Teria tido mais filhos se pudéssemos. Nada me agradaria mais do que ver a casa repleta de netos.
- Ótimo. Quando me livrar de J.A. e me casar com Wilmer, nós nos certificaremos de que tenha muitos. Todos morenos. - Demi esboçou um sorriso presunçoso.
- Não quero ter netos morenos! - vociferou Patrick.
- Que pena! - Demi suspirou, terminando de tomar o desejum. - Porque não passarei o resto da minha vida ajudando J.A. a se livrar de mulheres interesseiras.
- Não lhe ocorreu que talvez J.A. tenha outras razões para querer permanecer casado com você? - indagou Patrick após um minuto de silêncio. - Razões de cunho mais pessoal do que as que apresentou?
Demi lhe procurou o rosto.
- Quer dizer que talvez seja por causa da esposa e do bebê?
Patrick assentiu.
- Foi difícil para J.A. perder a mulher daquele jeito, ainda mais quando estava grávida. Posso entender por que ele se sente assombrado. Sei tudo sobre sentimento de culpa, querida. Convivi com essa sensação durante anos, por ter bebido na noite da batida de carro que matou sua mãe. Mas, por fim, aprendi que não se pode viver no passado. Temos de aceitar novos erros e arrependimentos e seguir em frente, J.A. está aprendendo. Talvez também esteja pronto para um começo.
- Pode ser, mas isso não é o suficiente, papai - disse ela aborrecida. - Não posso apenas ser um bálsamo cicatrizante na vida de J.A., entende? Tenho de ser amada, desejada, necessária.
- Com certeza ele precisa de você. Constatamos isso ao longo desses três anos.
- Claro. A velha e boa Demi, mantendo-o longe dos problemas, certificando-se de que levasse a capa de chuva, cuidando das refeições dele... Mas não é disso que J.A. precisa. Ele necessita de uma mulher a quem possa amar. Blanda seria melhor escolha do que eu. Ao menos os dois já têm um relacionamento. J.A. e eu... bem, ele nunca sequer me beijou - resmungou, com um leve rubor.
- Talvez devesse pedir a ele que o fizesse. - Patrick deu uma piscadela. - Apenas para ter uma amostra da mercadoria, por assim dizer.
Demi enrubesceu ainda mais e baixou o olhar ao prato.
- Não quero beijá-lo.
- Não saberá o que está perdendo se não experimentar. Afinal, você viveu como uma santa nos últimos anos, apesar dos esforços do veterinário.
- Você não disse isso a J.A.!
- Ele descobriu por si mesmo - afirmou Patrick com tranquilidade. - J.A. esteve por perto. Até mesmo um cego poderia ver que você vive uma vida de santa. Fica vermelha com muita facilidade.
- Vou besuntar meu rosto com pó de arroz e usar uma máscara sobre os olhos de agora em diante. Pode ter certeza! - Demi mordeu o lábio. - Homens!
- Ora, acalme-se. Queremos apenas o melhor para você.
- E o fato de J.A. poder tirar o rancho do vermelho é a cobertura do bolo, certo?
Patrick exibiu um sorriso apaziguador.
- Não posso negar isso. Esta terra é um legado. Nós a manteremos na família pelos próximos anos, bem como a história que a envolve. John Wesley Hardin dormiu nesta casa. Um grupo de guerreiros comanches invadiu o rancho e matou um dos vaqueiros. A cavalaria costumava acampar nos fundos desta propriedade quando a caminho de várias campanhas em direção a Paso del Norte e de volta para cá. Sim, menina, esta terra é cheia de histórias. Gostaria que seus filhos a herdassem.
Demi esticou o braço e tocou a mão enrugada do pai.
- Entendo isso. Mas o casamento parece ser difícil o suficiente quando amamos o companheiro. Quando não há amor...
- Mas você o ama. Reparei no modo como o olha. A maneira como se ilumina quando vê J.A. Ele não percebe porque não está prestando atenção. No entanto, o fato dele não querer a anulação do casamento lhe dá esperanças, certo?
- Ele não quer este casamento pelas razões certas - gemeu ela.
- J.A. poderia ter escolhido qualquer mulher, não vê?
- Não. Não vejo.
Patrick puxou a corrente de ouro do relógio de bolso e verificou a hora.
- Eu não tenho tempo de fazê-la ver agora. Estou atrasado. Não voltarei para o almoço, portanto, não precisa se preocupar comigo, embora J.A. tenha mencionado que viria almoçar.
- Deixarei alguma coisa na mesa para ele - resmungou Demi.
- Ora, ora. Isso é jeito de tratar o homem que está livrando seu preocupado pai das dívidas?
Demi fez uma careta.
- Acho que não. Está bem. Tentarei parecer agradecida. Agora, se me der licença - disse ela erguendo-se para juntar os pratos. -, tenho algumas tarefas a realizar. E não vou abrir mão daquele emprego, também - acrescentou por sobre o ombro. - Se eles me contratarem, eu irei!
Patrick atirou as mãos para o alto e se encaminhou na direção da porta.
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Beijo JEMI em Breve............

Capitulo 10- Surpresa


Os olhos claros se estreitaram, enquanto ele refletia sobre aquela resposta minuciosamente, e não acreditou no que ouviu. Demi sempre se mostrara vulnerável a ele, antes de ter lhe destruído o orgulho. Se tivesse restado algum sentimento, seria capaz de revivê-lo, se fosse cauteloso.
- Lembro-me de ter lhe dito uma vez que não restara nenhum amor em mim - começou J.A. - Senti-me assim por um longo tempo. Estava entorpecido, acho que devido ao sentimento de culpa. Não me permitiria ser capaz de sentir.
Demi baixou o olhar ao peito musculoso.
- Sim, posso entender isso - afirmou com suavidade. - Mas nunca representei uma ameaça para você.
- Não? - Ele esboçou um sorriso frouxo. - Você é a coisinha mais afetuosa que jamais conheci. Cuidou de mim como uma mãe. É engraçado como, por algum tempo, gostei disso. Tortas de maçã quando eu estava deprimido, guisado quente quando sentia frio, surpresas como folhados em meu alforje quando saía para fazer o recolhimento do gado. Oh, você penetrou em mim, desde o início... O milagre foi eu não ter percebido o quanto.
- Não precisa me paparicar - resmungou Demi encarando-o, zangada. - O que disse quando soube que estávamos casados era a verdade. Você foi sincero. Sempre soube que nunca desejaria uma gorda desmazelada como eu...
- Demi!
- Bem, é isso o que sou - insistiu, obstinada, os dedos apertados contra a coberta. - Feia, acima do peso e caipira até a medula dos ossos. Papai sempre disse que você era sofisticado o suficiente para se casar com uma socialite, e tinha razão. Blanda faz seu estilo.
J.A. se inclinou para trás na cadeira.
- Blanda não quer uma casa no campo e dois ou três filhos.
Então, era isso. J.A . não conseguiria ter Blanda, e talvez estivesse disposto a se conformar com menos... com Demi . Ela baixou o olhar. Desejava-o fazia tanto tempo que se sentia tentada a aceitá-lo em quaisquer termos, mesmo sabendo que ele ainda não se recuperara da morte da esposa. Mas não podia esquecer o que J.A. lhe dissera.
- Talvez consiga fazê-la mudar de ideia.
J.A. franziu a testa, observando-a.
- Eu não quero fazê-la mudar de ideia - afirmou ele para surpresa de Demi. - Nós estamos casados.
- Isso não é um obstáculo. - Ela enrubesceu. - Já lhe disse que consultei o sr. Hardy. Tudo o que tem de fazer é assinar aqueles papéis na sexta-feira, e ele dará prosseguimento ao processo.
J.A. sentiu aquelas palavras lhe penetrarem a alma. Mudou de posição na cadeira, observando o rosto delicado e rubro.
- Não considerou as opções, Demi. Seu pai está quase operando no azul. Eu poderia colocar este rancho de volta nos trilhos para sempre. Talvez você descubra algo que queira fazer também. Afinal, sou rico.
- Não me importo com seu dinheiro - rebateu Demi, os olhos chocolates acusatórios. - Gosto de ter comida no prato e um teto sobre a cabeça, mas não poderia me importar menos com quanto dinheiro possuo, e você sabe disso!
J.A. deixou escapar um suspiro rouco.
- Trata-se de Wilmer? É por causa dele que está com tanta pressa para anular nosso casamento?
Os olhos de Demi se arregalaram.
- Foi você a exigir um fim imediato para esse casamento!
- Sim, bem... pensei melhor. - Ele descruzou as pernas e se esparramou na cadeira, com o cigarro quase todo consumido entre os dedos, observando-a. - Se já estou casado, não terei de me defender contra as noivas em potencial, certo?
Demi se sentou na cama com a coluna reta.
- Escute aqui, J.A. Não me darei em sacrifício para você escapar do altar! Casar-me com você, com certeza, não foi ideia minha!
- Poderia não ter cedido ao meu blefe - lembrou ele com os olhos faiscando. - Por que não o fez?
- Eu lhe disse! Por que não queria passar o resto da vida em uma cadeia mexicana.
- Se eu estava bêbado a ponto de desmaiar, não poderia criar tanta confusão - argumentou J.A. - Além disso, não estava armado.
Demi ergueu os joelhos, irritada, e os abraçou.
- Você tem todas as respostas, certo?
- Nem todas. Mas estou quase chegando lá. - J.A. se deteve longamente na ação de apagar o cigarro no cinzeiro. - Um dia me disse que Wilmer e você eram amantes. É verdade? - Voltou a erguer o olhar para encará-la.
Demi o observou, cautelosa, esperando que ele não fosse capaz de perceber a mentira. Se pensasse que era íntima de Wilmer, aquilo talvez o mantivesse afastado até que ela decidisse como lidar com aquela nova complicação.
- Isso não é da sua conta.
- Uma ova que não. Você é minha.
Uma corrente de eletricidade lhe percorreu as veias, mas Demi não permitiu que aquela reação se estampasse no olhar.
- Não. Não sou. Está casado comigo apenas por acaso. Isso significa que Wilmer não é problema seu.
J.A. se ergueu com uma indolência ilusória e pousou o cinzeiro de volta na cômoda.
- Eu o estou tornando um problema meu. - Ele estacou ao lado da cama e estreitou o olhar, avaliando, ameaçando. - Não se deitará mais com ele, Demi. E nada mais de encontros. De agora em diante, permanecerá em casa, onde é seu lugar.
Os olhos chocolates se arregalaram.
- Quem você pensa que é?
- Seu marido, sra. Jonas.
- Não me chame assim - resmungou Demi. - Esse não é o meu nome.
- Oh, sim, é. E pode esquecer aquele processo de anulação. Não assinarei os papéis.
- Mas tem de assinar! - Demi estava atônita.
- É mesmo? Por quê? - J.A. parecia interessado na resposta.
- Porque é a única forma de se livrar de mim!
Os lábios sensuais se contraíram em uma linha fina, e os olhos claros viajaram por todo corpo de Demi.
- E eu quero isso? Afinal, tem cuidado de mim durante os últimos três anos, Demi, nos bons e nos maus momentos. Você é um tesouro, e não pretendo perdê-la para aquele veterinário. Pode dar esse recado a ele.
- Não quero ficar casada com você! - vociferou.
J.A. ergueu as sobrancelhas.
- Como sabe disso? Ainda não fiz amor com você.
O rosto de Demi se tornou escarlate. Os dedos se fecharam com força em torno do tecido da coberta, e o corpo todo enrijeceu quando ele deu um passo na direção da cama. Os olhos ficaram tão arregalados e redondos como dois discos voadores no rosto corado.
Abanando a cabeça em negativa, J.A. estalou a língua várias vezes.
- Meu Deus! Se mantiver essa atitude, será difícil fazermos um filho juntos.
- Não terei filhos! - sussurrou Demi.
- Bem, não dessa forma. - Ele sorriu. - Sabe de fato como as mulheres têm filhos?
- Claro - respondeu Demi hesitante. - No hospital.
- Essa é a última parte.
Aquele sorriso lento e malicioso a deixava nervosa.
- Não quero dormir com você - afirmou J.A.
- Não dormirá - prometeu ele.
- Quer sair daqui?
Antes que J.A. pudesse responder, a porta do quarto se abriu de repente, e Patrick Lovato alternou o olhar entre os dois, com a testa franzida.
- Pelo amor de Deus! De que se trata essa gritaria?
- Estive explicando os fatos da vida de Demi. - J.A. deu de ombros. - Ela pensa que os bebês vêm do hospital. Foi você quem disse isso a ela?
Patrick parecia aturdido.
- Bem, não exatamente... Ouça, o que faz no quarto dela?
- Somos casados. - J.A. tirou um envelope do bolso. - A certidão de casamento está aqui.
- Mas não quer continuar casado com ela. Foi você quem disse isso. Caiu fora daqui dizendo que providenciaria a anulação.
- Mudei de ideia. Sua filha é uma excelente cozinheira, tem boa aparência e não possui nenhum mau hábito. E poderia arranjar coisa pior.
- E eu poderia arranjar coisa melhor! - gritou Demi rubra. - Fora daqui, Joseph Jonas! Vou conseguir a anulação, e você pode ir para o inferno!
J.A. trocou um olhar divertido com Patrick.
- Suponho que a tenha ensinado a xingar também. - Ele maneou a cabeça. - Que vergonha!
- Foi ela quem me ensinou. - Patrick se apressou a afirmar, na defensiva. - E acho que Demi não quer permanecer casada com você.
- Claro que ela quer! - retrucou J.A. - Será apenas uma questão de pouco tempo para convencê-la. Enquanto isso... - envolveu os ombros de Patrick com um dos braços. - quero conversar com você sobre algumas melhorias que tenho em mente para a casa do rancho.
- Não lhe dê ouvidos! - ordenou Demi irada. - Ele está tentando me comprar!
- Eu não! - retrucou J.A. indignado. - O que quero é suplantar suas objeções. Seu pai não se importaria de ter um sócio, aposto. Ainda mais quando se trata de seu genro, certo, papai? - acrescentou com um sorriso de crocodilo para Patrick.
- Certo, filho! - Patrick retribuiu o sorriso. - Não havia pensado nisso - prosseguiu, entrando na brincadeira. - Até que enfim terei um filho homem!
- Não está se esquecendo de nada? - indagou Demi arrogante.
- Acho que não - J.A. franziu o cenho.
- Não quero permanecer casada com você! Vou conseguir a anulação.
- Não se preocupe, papai - J.A. tranquilizou Patrick. - Ela tem de ter meu consentimento para isso, e nunca concordarei. Imagine como Demi parecerá uma mulher de coração de pedra por tentar se livrar do marido depois da lua de mel!
- Mas vocês não tiveram uma lua de mel - argumentou Patrick.
- J.A. pode viajar em lua de mel consigo mesmo - disse Demi. - Ouvi dizer que o Canadá é muito agradável nesta época do ano. Não há ursos pardos por lá?
- Não temos tempo para uma lua de mel agora - respondeu J.A. com a maior naturalidade. - Temos muito trabalho a fazer no rancho. Primeiro, acho que deveríamos trazer um empreiteiro até aqui para que ele avaliasse o estado da casa. Convidei meus irmãos que moram em Jacobsville para conversarmos sobre a possibilidade de trazer aqui um ou dois touros reprodutores Santa Gertrudis...
- Pare! - Demi ergueu uma das mãos. - Não concordarei!
- O que você tem a ver com isso? - J.A. a encarou com expressão inocente. - Seu pai e eu vamos ser sócios.
- Pai, não pode permitir que ele faça tal coisa - suplicou ela.
Patrick ergueu uma sobrancelha.
- Por que não?
- Demi está apenas frustada - J.A. guiou Patrick na direção da porta. - Um pouco de carinho a colocará de volta nos trilhos em um instante.
- Tente e eu quebrarei sua cabeça com uma chave de roda! - gritou ela.
J.A. sorriu à soleira.
- Gosto muito de mulheres com personalidade forte - murmurou.
- Pode sair daqui, por favor? - Demi teve de admitir a derrota. - Quero dormir.
- E deve mesmo. Talvez isso melhore o seu humor. - J.A. deixou o quarto e fechou a porta.
- Melhorar meu humor... - resmungou Demi fixando o olhar furioso na porta fechada. - Primeiro, me insulta. Em seguida, sai daqui soltando fogo pelas ventas e exigindo a anulação do casamento. Agora, quer ser sócio do meu pai. Nunca entenderei os homens, por mais tempo que eu viva!
Demi enfiou a cabeça debaixo do travesseiro. Mas, apesar de muito tentar, só conseguiu pegar no sono quando o dia amanheceu.

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