quarta-feira, 25 de junho de 2014

Capitulo 10- Surpresa


Os olhos claros se estreitaram, enquanto ele refletia sobre aquela resposta minuciosamente, e não acreditou no que ouviu. Demi sempre se mostrara vulnerável a ele, antes de ter lhe destruído o orgulho. Se tivesse restado algum sentimento, seria capaz de revivê-lo, se fosse cauteloso.
- Lembro-me de ter lhe dito uma vez que não restara nenhum amor em mim - começou J.A. - Senti-me assim por um longo tempo. Estava entorpecido, acho que devido ao sentimento de culpa. Não me permitiria ser capaz de sentir.
Demi baixou o olhar ao peito musculoso.
- Sim, posso entender isso - afirmou com suavidade. - Mas nunca representei uma ameaça para você.
- Não? - Ele esboçou um sorriso frouxo. - Você é a coisinha mais afetuosa que jamais conheci. Cuidou de mim como uma mãe. É engraçado como, por algum tempo, gostei disso. Tortas de maçã quando eu estava deprimido, guisado quente quando sentia frio, surpresas como folhados em meu alforje quando saía para fazer o recolhimento do gado. Oh, você penetrou em mim, desde o início... O milagre foi eu não ter percebido o quanto.
- Não precisa me paparicar - resmungou Demi encarando-o, zangada. - O que disse quando soube que estávamos casados era a verdade. Você foi sincero. Sempre soube que nunca desejaria uma gorda desmazelada como eu...
- Demi!
- Bem, é isso o que sou - insistiu, obstinada, os dedos apertados contra a coberta. - Feia, acima do peso e caipira até a medula dos ossos. Papai sempre disse que você era sofisticado o suficiente para se casar com uma socialite, e tinha razão. Blanda faz seu estilo.
J.A. se inclinou para trás na cadeira.
- Blanda não quer uma casa no campo e dois ou três filhos.
Então, era isso. J.A . não conseguiria ter Blanda, e talvez estivesse disposto a se conformar com menos... com Demi . Ela baixou o olhar. Desejava-o fazia tanto tempo que se sentia tentada a aceitá-lo em quaisquer termos, mesmo sabendo que ele ainda não se recuperara da morte da esposa. Mas não podia esquecer o que J.A. lhe dissera.
- Talvez consiga fazê-la mudar de ideia.
J.A. franziu a testa, observando-a.
- Eu não quero fazê-la mudar de ideia - afirmou ele para surpresa de Demi. - Nós estamos casados.
- Isso não é um obstáculo. - Ela enrubesceu. - Já lhe disse que consultei o sr. Hardy. Tudo o que tem de fazer é assinar aqueles papéis na sexta-feira, e ele dará prosseguimento ao processo.
J.A. sentiu aquelas palavras lhe penetrarem a alma. Mudou de posição na cadeira, observando o rosto delicado e rubro.
- Não considerou as opções, Demi. Seu pai está quase operando no azul. Eu poderia colocar este rancho de volta nos trilhos para sempre. Talvez você descubra algo que queira fazer também. Afinal, sou rico.
- Não me importo com seu dinheiro - rebateu Demi, os olhos chocolates acusatórios. - Gosto de ter comida no prato e um teto sobre a cabeça, mas não poderia me importar menos com quanto dinheiro possuo, e você sabe disso!
J.A. deixou escapar um suspiro rouco.
- Trata-se de Wilmer? É por causa dele que está com tanta pressa para anular nosso casamento?
Os olhos de Demi se arregalaram.
- Foi você a exigir um fim imediato para esse casamento!
- Sim, bem... pensei melhor. - Ele descruzou as pernas e se esparramou na cadeira, com o cigarro quase todo consumido entre os dedos, observando-a. - Se já estou casado, não terei de me defender contra as noivas em potencial, certo?
Demi se sentou na cama com a coluna reta.
- Escute aqui, J.A. Não me darei em sacrifício para você escapar do altar! Casar-me com você, com certeza, não foi ideia minha!
- Poderia não ter cedido ao meu blefe - lembrou ele com os olhos faiscando. - Por que não o fez?
- Eu lhe disse! Por que não queria passar o resto da vida em uma cadeia mexicana.
- Se eu estava bêbado a ponto de desmaiar, não poderia criar tanta confusão - argumentou J.A. - Além disso, não estava armado.
Demi ergueu os joelhos, irritada, e os abraçou.
- Você tem todas as respostas, certo?
- Nem todas. Mas estou quase chegando lá. - J.A. se deteve longamente na ação de apagar o cigarro no cinzeiro. - Um dia me disse que Wilmer e você eram amantes. É verdade? - Voltou a erguer o olhar para encará-la.
Demi o observou, cautelosa, esperando que ele não fosse capaz de perceber a mentira. Se pensasse que era íntima de Wilmer, aquilo talvez o mantivesse afastado até que ela decidisse como lidar com aquela nova complicação.
- Isso não é da sua conta.
- Uma ova que não. Você é minha.
Uma corrente de eletricidade lhe percorreu as veias, mas Demi não permitiu que aquela reação se estampasse no olhar.
- Não. Não sou. Está casado comigo apenas por acaso. Isso significa que Wilmer não é problema seu.
J.A. se ergueu com uma indolência ilusória e pousou o cinzeiro de volta na cômoda.
- Eu o estou tornando um problema meu. - Ele estacou ao lado da cama e estreitou o olhar, avaliando, ameaçando. - Não se deitará mais com ele, Demi. E nada mais de encontros. De agora em diante, permanecerá em casa, onde é seu lugar.
Os olhos chocolates se arregalaram.
- Quem você pensa que é?
- Seu marido, sra. Jonas.
- Não me chame assim - resmungou Demi. - Esse não é o meu nome.
- Oh, sim, é. E pode esquecer aquele processo de anulação. Não assinarei os papéis.
- Mas tem de assinar! - Demi estava atônita.
- É mesmo? Por quê? - J.A. parecia interessado na resposta.
- Porque é a única forma de se livrar de mim!
Os lábios sensuais se contraíram em uma linha fina, e os olhos claros viajaram por todo corpo de Demi.
- E eu quero isso? Afinal, tem cuidado de mim durante os últimos três anos, Demi, nos bons e nos maus momentos. Você é um tesouro, e não pretendo perdê-la para aquele veterinário. Pode dar esse recado a ele.
- Não quero ficar casada com você! - vociferou.
J.A. ergueu as sobrancelhas.
- Como sabe disso? Ainda não fiz amor com você.
O rosto de Demi se tornou escarlate. Os dedos se fecharam com força em torno do tecido da coberta, e o corpo todo enrijeceu quando ele deu um passo na direção da cama. Os olhos ficaram tão arregalados e redondos como dois discos voadores no rosto corado.
Abanando a cabeça em negativa, J.A. estalou a língua várias vezes.
- Meu Deus! Se mantiver essa atitude, será difícil fazermos um filho juntos.
- Não terei filhos! - sussurrou Demi.
- Bem, não dessa forma. - Ele sorriu. - Sabe de fato como as mulheres têm filhos?
- Claro - respondeu Demi hesitante. - No hospital.
- Essa é a última parte.
Aquele sorriso lento e malicioso a deixava nervosa.
- Não quero dormir com você - afirmou J.A.
- Não dormirá - prometeu ele.
- Quer sair daqui?
Antes que J.A. pudesse responder, a porta do quarto se abriu de repente, e Patrick Lovato alternou o olhar entre os dois, com a testa franzida.
- Pelo amor de Deus! De que se trata essa gritaria?
- Estive explicando os fatos da vida de Demi. - J.A. deu de ombros. - Ela pensa que os bebês vêm do hospital. Foi você quem disse isso a ela?
Patrick parecia aturdido.
- Bem, não exatamente... Ouça, o que faz no quarto dela?
- Somos casados. - J.A. tirou um envelope do bolso. - A certidão de casamento está aqui.
- Mas não quer continuar casado com ela. Foi você quem disse isso. Caiu fora daqui dizendo que providenciaria a anulação.
- Mudei de ideia. Sua filha é uma excelente cozinheira, tem boa aparência e não possui nenhum mau hábito. E poderia arranjar coisa pior.
- E eu poderia arranjar coisa melhor! - gritou Demi rubra. - Fora daqui, Joseph Jonas! Vou conseguir a anulação, e você pode ir para o inferno!
J.A. trocou um olhar divertido com Patrick.
- Suponho que a tenha ensinado a xingar também. - Ele maneou a cabeça. - Que vergonha!
- Foi ela quem me ensinou. - Patrick se apressou a afirmar, na defensiva. - E acho que Demi não quer permanecer casada com você.
- Claro que ela quer! - retrucou J.A. - Será apenas uma questão de pouco tempo para convencê-la. Enquanto isso... - envolveu os ombros de Patrick com um dos braços. - quero conversar com você sobre algumas melhorias que tenho em mente para a casa do rancho.
- Não lhe dê ouvidos! - ordenou Demi irada. - Ele está tentando me comprar!
- Eu não! - retrucou J.A. indignado. - O que quero é suplantar suas objeções. Seu pai não se importaria de ter um sócio, aposto. Ainda mais quando se trata de seu genro, certo, papai? - acrescentou com um sorriso de crocodilo para Patrick.
- Certo, filho! - Patrick retribuiu o sorriso. - Não havia pensado nisso - prosseguiu, entrando na brincadeira. - Até que enfim terei um filho homem!
- Não está se esquecendo de nada? - indagou Demi arrogante.
- Acho que não - J.A. franziu o cenho.
- Não quero permanecer casada com você! Vou conseguir a anulação.
- Não se preocupe, papai - J.A. tranquilizou Patrick. - Ela tem de ter meu consentimento para isso, e nunca concordarei. Imagine como Demi parecerá uma mulher de coração de pedra por tentar se livrar do marido depois da lua de mel!
- Mas vocês não tiveram uma lua de mel - argumentou Patrick.
- J.A. pode viajar em lua de mel consigo mesmo - disse Demi. - Ouvi dizer que o Canadá é muito agradável nesta época do ano. Não há ursos pardos por lá?
- Não temos tempo para uma lua de mel agora - respondeu J.A. com a maior naturalidade. - Temos muito trabalho a fazer no rancho. Primeiro, acho que deveríamos trazer um empreiteiro até aqui para que ele avaliasse o estado da casa. Convidei meus irmãos que moram em Jacobsville para conversarmos sobre a possibilidade de trazer aqui um ou dois touros reprodutores Santa Gertrudis...
- Pare! - Demi ergueu uma das mãos. - Não concordarei!
- O que você tem a ver com isso? - J.A. a encarou com expressão inocente. - Seu pai e eu vamos ser sócios.
- Pai, não pode permitir que ele faça tal coisa - suplicou ela.
Patrick ergueu uma sobrancelha.
- Por que não?
- Demi está apenas frustada - J.A. guiou Patrick na direção da porta. - Um pouco de carinho a colocará de volta nos trilhos em um instante.
- Tente e eu quebrarei sua cabeça com uma chave de roda! - gritou ela.
J.A. sorriu à soleira.
- Gosto muito de mulheres com personalidade forte - murmurou.
- Pode sair daqui, por favor? - Demi teve de admitir a derrota. - Quero dormir.
- E deve mesmo. Talvez isso melhore o seu humor. - J.A. deixou o quarto e fechou a porta.
- Melhorar meu humor... - resmungou Demi fixando o olhar furioso na porta fechada. - Primeiro, me insulta. Em seguida, sai daqui soltando fogo pelas ventas e exigindo a anulação do casamento. Agora, quer ser sócio do meu pai. Nunca entenderei os homens, por mais tempo que eu viva!
Demi enfiou a cabeça debaixo do travesseiro. Mas, apesar de muito tentar, só conseguiu pegar no sono quando o dia amanheceu.

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