quarta-feira, 25 de junho de 2014

Capitulo 4- Confronto



Se Demi esperava que J.A. e a namorada saíssem sem dizer nada, ficou decepcionadíssima. Depois de comerem a sobremesa, ele se dirigiu direto à mesa de Demi, trazendo consigo a indesejada loira.
- Olá - cumprimentou Wilmer sorrindo para o casal. - Como se sente agora que o recolhimento do gado chegou ao fim,J.A .? Eu mesmo estou exausto com esse trabalho, e ainda tenho dois rebanhos para examinar amanhã.
- É bom ter um pouco de tempo livre - respondeu J.A. em tom calmo, os olhos verdes cravados no rosto de Demi. - Não a vejo há duas semanas. Imaginei se não estaria me evitando.
Demi se sentiu aturdida com o ataque repentino, bem como com o veneno na voz grave. E não foi a única. Wilmer e Blanda trocaram olhares questionadores, também.
- Não o estive evitando - respondeu Demi, embora não conseguisse encará-lo diante da lembrança do último diálogo entre os dois. - Você esteve fora com os vaqueiros todos os dias e parte das noites, assim como papai. E eu tive de me dedicar às minhas tarefas, fazendo a comida e ajudando Wiley a organizar as provisões para colocar na carroça de seus suprimentos.
O Bar S era um dos poucos ranchos que ainda operavam com carroças de suprimentos. Era tão grande que tornava impraticável para as duas dúzias de vaqueiros que lá trabalhavam cruzar de picape toda a extensão para fazerem as refeições no alojamento. Wiley, um dos vaqueiros mais velhos, cozinhava, e Demi o ajudava a manter o abastecimento de seus suprimentos.
- Você costuma sair para nos ver trabalhar - insistiu J.A. com um olhar estreitado.
Aquele era um questionamento, e Demi não queria responder. Enroscou os dedos no guardanapo, vagamente ciente da expressão confusa de Blanda ao testemunhar aquele jogo paralelo.
- Estou acima do peso. - Beligerante, Demi o encarou zangada. - Esta bem. Venho tendo dificuldade para montar numa sela. Agora está satisfeito?
- Você não está acima do peso - afirmou J.A. conciso.
- De fato, ela está um pouco, sim - murmurou Blanda quase compassiva, enlaçando o braço de J.A. de modo possessivo. - Nós, mulheres, somos mais sensíveis aos quilos a mais, certo, Demetria? - acrescentou com uma risada destituída de humor. - Ainda mais quando se concentram nos quadris.
Quais quadris?, Demi teve vontade de perguntar, porque Blanda parecia mais uma varapau do que uma mulher, com aquela magreza exagerada. Mas o comentário a magoou, e Demi desejou saber por que trouxera aquele assunto à tona. Fora algo desajeitado e estúpido. Exatamente como se sentia sempre que J.A. se aproximava dela nos últimos dias.
- Acho que Demi está muito bem - murmurou Wilmer dirigindo-lhe um sorriso confortador. - Para mim, está ótima.
- Você é um anjo - Demi retribuiu o sorriso.
- Porque seu pai não veio com você? - indagou J.A. de repente, fechando o semblante ao ver o modo como Demi sorria para o veterinário.
A questão a surpreendeu. Os olhos enormes o encaravam como se temessem pela sanidade mental de J.A.
- Não costumo trazer meu pai para meus encontros - afirmou ela.
- Amanhã é o aniversário dele - lembrou J.A. com um leve sarcasmo, transbordado de mau humor.
Detestava vê-la com Wilmer, odiava ver Demi o evitando. Desconfiava terem sido as coisas que lhe dissera que a fizeram se afastar, mas ainda mais profundo era o ressentimento por saber que Demi estava se deitando com aquele palhaço sentando de frente para ela.
O pensamento de Demi nos braços de outro homem o deixava louco. J.A. se sentira irritado e intratável durante quase todo tempo que durara o recolhimento do gado devido à naturalidade com que Demi afirmara não ser mais inocente. Deus sabia quantas vezes sonhara livrá-la daquela condição e das formas mais ternas possíveis. Agora, suas ilusões se despedaçaram, e desejava fazê-la se sentir tão arrasada quanto ele.
- Eu sei que amanhã é o aniversário do meu pai. Wilmer e eu vamos levá-lo à parada de Dieciséis de Septiembre pela manhã. Não é mesmo? - perguntou ela ao seu acompanhante, quase fora de si.
Os dois não levariam Patrick a lugar nenhum, mas não conseguia suportar a ideia de revelar a J.A. que tudo o que planejara fora um bolo caprichado e um bom jantar. Não quando ele a fitava como se ela fosse a inimiga pública número um e a filha mais ingrata do mundo.
- Isso mesmo - concordou Wilmer de imediato.
Wilmer, mais uma vez, pensou J.A. furioso. Empinando o queixo, ele a encarou com arrogância, antes de relancear um olhar frio e quase agressivo a Wilmer.
- Acho que Patrick ficará feliz por você ter se importado com o aniversário dele.
- Que diabos há com você? - Demi se pôs na defensiva.
Estaria J.A. disposto a começar uma briga, pelo amor de Deus? Ela se remexeu na cadeira, ciente do olhar surpreso com que Blanda observava seu acompanhante.
- Ele teve duas semanas muito difíceis, é isso - disse Wilmer com um sorriso forçado, pretendendo aliviar a tensão. - Sei disso, porque estive presente na maior parte dos dias.
- O recolhimento do gado deixa todos nervosos. - Demi dirigiu-se a Blanda: - Como vai você? Adorei seu vestido.
- Este trapo velho? - A mulher soltou uma risada entre os dentes. - Obrigada. Achei que isso iria melhorar o humor do meu amigo aqui, mas parece que ele nem percebeu.
- Oh, não percebi? - J.A., enfim, mudou de assunto. Em seguida, relanceou um olhar breve a Demi, antes de escorregar um braço possessivo pelos ombros de Blanda e puxá-la para si. - Venha comigo e verei se consigo convencê-la do contrário - acrescentou com expressão afetuosa e uma voz grave e sensual.
- Essa é uma oferta irrecusável - murmurou Blanda em resposta. - Boa noite, Demetria, Wilmer.
Os dois se despediram, e Demi se recusou a olhá-los partir. J.A. era seu marido. Teve vontade de se levantar e gritar aquilo e arrastar aquela mulher para longe dele. Os dois estavam partindo para algum lugar onde ficariam a sós, e ela sabia o que aconteceria. Podia ver a cena na mente, e rilhou os dentes diante do pensamento.
- Pobre menina! - Os olhos negros de Wilmer se mostravam preocupados, mas repletos de compreensão. - Então é isso.
- Tenho tomado conta de J.A. há um bom tempo - justificou Demi. - Sou super-protetora. Tenho de parar com isso. Ele não é meu pintinho, e eu não sou sua mãe galinha. Bem, talvez um vez por ano, mas só.
Wilmer não estava acreditando em nada do que ela dizia.
- Se um dia precisar de um ombro para chorar, pode usar o meu - ofereceu ele gentil, cobrindo-lhe a mão com a sua. - E se um dia conseguir o esquecer...
- Obrigada. - Demi forçou um sorriso.
- Acho que sabe que não posso levar você e seu pai à parada de amanhã.
Demi fez um movimento afirmativo com a cabeça e tornou a sorrir.
- Desculpe. Nem mesmo sei por que disse aquilo. Esse homem me enlouquece. Farei um bolo para o meu pai, é só.
- Não me importaria em ajudá-lo a comer o bolo, mas ficarei fora o dia inteiro amanhã, ocupado com o rebanho do velho Reynolds - disse ele tristonho. - Não chegarei em casa antes da meia-noite ou mais.
- Guardarei um pedaço de bolo para você. Obrigada por ter sustentado minha história.
- Não há por quê. - Wilmer franziu a testa. - Não é do feito de J.A. brigar com você em público. É estranho o fato de ele tê-la criticado em relação ao seu pai.
Demi não podia lhe dizer que J.A. se mostrara disposto a comprar qualquer briga desde que ela se excedera e mentira sobre sua virgindade. Mas aquilo não tinha a menor importância. A opinião de j.a. não lhe interessava. Nem um pouco!
- Talvez ele esteja apenas frustado por ter ficado afastado de Blanda por duas semanas. - Demi sentia o coração despedaçar só de imaginar quanto do tempo perdido J.A. recuperaria naquela noite com sua loira. Uma onda de náusea a invadiu. - É sempre tão complicado... - Suspirou. - Consegui nos meter em uma terrível confusão e, não, não posso falar sobre isso. Podemos ir embora, por favor? Estou com dor de cabeça.
Wilmer a levou para casa, e Demi conseguiu se despedir sem lhe dar um beijo. A aparição de J.A. arruinara a noite para ela. Esperara mantê-lo afastado da mente por algum tempo, mas o destino tinha outros planos.
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Oque será que vai acontecer???? HUMMMM....

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